Ser Low Profile é abandonar a caverna num mundo viciado em sombras
Se você sente necessidade de mostrar tudo, talvez ainda esteja preso na caverna.
Platão por volta de 400 A.C. escreveu uma história que permearia por milênios.
Era algo simples, mas profundamente revelador para quem conseguia ver além da história.
O Mito descreve prisioneiros acorrentados numa caverna, vendo apenas sombras na parede, que tomam como realidade, sem conhecer o mundo exterior iluminado pelo sol.
Um prisioneiro se liberta, descobre a verdadeira realidade fora da caverna e, ao retornar para ajudar os outros, é ridicularizado e ameaçado.
Como disse, a reflexão vai muito além da história. A ideia é entender que nem sempre o senso comum é o correto.
E que muitas pessoas preferem se prender a mentiras confortáveis do que se libertarem a conhecer a realidade.
E hoje é cada vez mais normal estar dentro da caverna, visto que a maioria das pessoas está no lado direito da imagem abaixo:
O que quase ninguém percebe é que a caverna nunca deixou de existir. Ela não é mais feita de pedra, agora é feita de telas.
Hoje, os prisioneiros não estão acorrentados pelo corpo, mas pela atenção.
Eles acordam, desbloqueiam o celular e passam o dia olhando para sombras cuidadosamente editadas:
rotinas perfeitas
corpos em ângulos certos
frases profundas de alguém raso
E quanto mais alguém se move dentro dessa caverna digital, mais aprende a sobreviver ali. Aprende o que postar, o que esconder, quando sorrir, quando parecer produtivo.
Aprende que existir virou sinônimo de ser visto.
Sair da caverna, hoje, não exige coragem física, exige silêncio.
Porque o prisioneiro moderno não é ridicularizado por mostrar, ele é ridicularizado justamente pelo contrário: por não mostrar.
E é exatamente aí que começa a conversa sobre:
Ser Low Profile
Mas afinal, o que é isso?
“Low Profile” é alguém que evita a exposição excessiva e a ostentação, preferindo manter a vida pessoal e profissional mais reservada.
Focando na privacidade e na qualidade das conexões em vez da quantidade de seguidores ou curtidas.
Não é o mesmo que ser tímido, é uma escolha consciente de não chamar a atenção e priorizar o que é mais importante fora dos holofotes digitais.
Você é assim? Se não é, deveria.
Porque, pensa comigo: quem são as pessoas “High Profile”? São aqueles que estão diariamente postando tudo o que fazem.
Seja um prato de comida no almoço, um bom dia com um sorriso fajuto ou aquele check ✅ que compareceu na academia (mas se treinou aí é outra questão).
Mas veja bem, aqui estou falando de pessoas que não são famosas. Que não vivem do digital. Por que nesses casos eu até consigo passar um pano, por serem influenciadores.
Mas para pessoas comuns, como eu e você, aparecerem constantemente nos stories não passa de mera carência e aprovação social.
É uma sensação doentia de “eu preciso postar pra mostrar aos outros que eu fiz”.
Mas que no final das contas, ninguém precisa saber de nada do que você fez. E isso é libertador.
Essa angústia de ter que registrar e postar tudo o que você faz é nociva. Experimente na próxima vez que você for viajar não postar nada para ninguém.
Viva o momento antes de pensar em registrar.
Porque a sua mente é a melhor galeria de recordações que existe.
Está gostando do conteúdo? Considere assinar a minha newsletter e receber meus textos toda semana.👇
A caverna de Platão cai como uma luva nesse assunto! (Ft. Gabriel Jabas)
Ao se libertar das correntes e correr rumo à saída da caverna, é comum que os olhos doam diante da luz à qual não estavam acostumados
Mas à medida que os olhos se acostumam, é nesse momento, que a beleza da vida começa a aparecer para você.
Por que será que, mesmo sendo libertador, enxergar incomoda tanto no começo?
O desespero, medo e ansiedade começam a ceder e viram calmaria, amor e sensação de presença.
Porque finalmente, enxergamos com nossos próprios olhos como a vida realmente é e sem necessidade de aprovação de ninguém, pois você vive sua verdade fora da caverna escura.
É natural querer compartilhar essa experiência que está tendo com outras pessoas, queremos sempre o melhor para aqueles que são próximos.
Porém, também é comum que eles recusem e te “taxem de louco”, afinal, eles ainda estão com as lentes sujas para enxergar a verdade.
Nem todos estão preparados para isso.
O grande perigo do nosso século é a conformidade e medo de passar pelo processo de evolução, pois demanda energia e dor, porém sempre é recompensador.
Confirme com você mesmo: quantas vezes se sentiu bem ao passar por algum desafio que inicialmente tinha medo?
Mas também, quantas vezes não se sentiu mal ao perceber que passou mais de 1 hora scrollando seu feed do insta ou tiktok.
A vida é repleta de escolhas, e a partir do momento em que você escolhe ser consciente e ter as suas lentes limpas para enxergar, não tem mais volta.
“Não sei se ele é pecador; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo”
— João 9:25
Como já disse em outras Newsletters:
Fingir-se de tolo, em certos momentos, é uma das maiores provas de sabedoria e inteligência emocional.
A verdade é que nem sempre o que incomoda é o que você fala e faz, mas o quanto sua clareza pode expor a confusão dos outros.
Limpe suas lentes para conseguir enxergar melhor, e veja o quão libertador é passar por essa dor.
Porque a dor de ver claramente é pequena perto da liberdade de viver consciente.
Foi um prazer poder trazer um pouco sobre esse assunto tão profundo junto com O Estrangeiro.
Eu amo escrever, pois, através da escrita conseguimos transformar o caos em ordem e beleza, além de conseguir trazer emoção e reflexões com simples palavras.
Tento trazer sempre de forma simples até mesmo os mais difíceis assuntos, e estou sempre buscando me aprimorar.
Se quiser acompanhar mais assuntos com esses, e como aplicar na sua vida, me acompanhe no meu perfil.
Toda conquista (não) merece ser compartilhada
Existe uma mentira silenciosa circulando por aí: a de que tudo só existe quando é visto.
Que só tem valor aquilo que vira story ou que só é real aquilo que recebe reação. Mas isso é pensamento de caverna.
↪️ Nem toda conquista precisa ser compartilhada.
↪️ Nem todo avanço precisa ser anunciado.
↪️ Nem todo passo precisa de aplauso.
Algumas mudanças só funcionam porque ninguém está olhando.
Existe uma frase do professor Pedro Calabrez que eu gosto muito:
“Em um mundo de pessoas poça d’água, seja um oceano.”
Ela fala sobre profundidade num mundo raso. Sobre não viver na superfície.
Mas talvez, hoje, a provocação precise ser invertida. Porque estamos vivendo o oposto.
Em um mundo de pessoas oceano — barulhentas, opinativas, exibidas — talvez a verdadeira lucidez seja ser uma pessoa poça d’água.
Discreta e silenciosa.
Ser low profile não é se esconder do mundo, é parar de negociar sua autenticidade por aprovação.
Ser low profile não é ser solitário, é viver algo inteiro antes de pensar em mostrar.
Ser low profile é sair da caverna e resistir à tentação de voltar só para provar que viu a luz.
Porque quem realmente enxerga, não precisa convencer ninguém. Ele simplesmente vive.
E isso, num mundo viciado em sombras, já é um ato de coragem.
Se você terminou esse texto com a mente mais cheia do que começou, talvez seja hora de transformar o que você pensa em escrita. ✍️
Foi exatamente assim comigo. E foi no Substack que eu encontrei o espaço pra transformar reflexão em texto, texto em clareza e clareza em audiência.
Por isso reuni tudo no meu eBook sobre como começar e crescer no Substack, um guia prático com tudo o que aprendi na plataforma.
Se fizer sentido pra você, dá uma olhada 📘
💬 Se o texto conversou com você, me diz nos comentários qual parte mais te impactou. Curta ❤️restack 🔁
Seu engajamento me motiva a continuar trazendo mais textos como esse.
🎥 E se quiser ir além da leitura, no meu canal no YouTube eu aprofundo essas ideias com um toque visual que te desprende da vida real.
📚 Também deixei organizada uma lista com os melhores livros que li ao longo dessa trajetória.









Sensacional! Esse texto mexe muito comigo porque eu passei dois anos postando conteúdos no Instagram, buscando trabalhar com isso.
Mas eu nunca me senti bem, nunca foi natural, sempre foi um grande peso. Fingir uma animação que não existia na rotina, falar com gestos que não uso... sempre foi horrível.
Nisso, aparece para mim o Substack. Onde nunca precisei postar algo além do que queria postar. Nunca mascarei minhas intenções. Sempre fiz animado. Pela primeira vez, criar algo além de mim deu sentido para minha vida, ao invés de roubar.
Estou super ansioso para a live de hoje!
Muito bom! Coincidentemente também escrevi sobre isso ontem, embora só hoje esteja vendo seu texto! Ainda são poucas as pessoas presentes para o quanto estamos abrindo mão da nossa autonomia de pensamento, nosso tempo e até decisões de compra por causa do vício em redes. E o quanto no final esse ciclo de buscar validação só gera mais angústia e esgotamento.